Precipitar nos remete ao precipício e não é só sentido literal. Quem nunca chegou na ponta do precipício, não pode falar sobre essa sensação. Quem nunca apreciou a longitude de uma paisagem, o por do sol no horizonte ou até mesmo o vazio que existe além do que a sua vida alcança, não sabe o sabor de imaginar. Não sabe o gosto que é precipitar!
Precipitar é jogar aquele livro de poesias pela janela e ver o vento carregar. É desistir de um sonho que estava começando a dar certo. É ir na direção daquilo que não deveria ir. É tentar avançar sem resolver pendências. É confiar naquilo que não conhecemos. É amar sem ter certeza se é amor.
Sim, eu gosto de voar. Ora, você nunca voou? Voar é ser livre. É esquecer todas as regras da vida, todas as falhas humanas, todos os pecados concebíveis. Voar é perdoar a criação da moralidade e a limitação da experiência chamada vida. Voar é ir além do que a realidade pode oferecer. É acreditar que os braços do criador vai nos acolher, quando o voo terminar. É perceber que o chão existe para nos lembrar que o tempo de voar é limitado.
Chegar no alto do cume e olhar para aquela imensidão de céu azul e para o ilimitado verde que a nossa vista alcança, me faz pensar em como somos pequenos e insignificante. Em um voo, olho para aquele céu azul, da janela do avião e penso em como tudo é pequeno e limitado abaixo da linha do impossível. Por um instante posso esquecer de tudo, e esse tempo pode parecer ser muito tempo, mas é só um flash nessa vida.
Não fomos feito para voar intermitentemente. Esse levantar de asas não é torrencial. O voo apresenta tempo relativo, determinado. O que importa, é que voar as vezes é a única forma para chegar onde deveríamos ir. As vezes a melhor forma de sonhar e acreditar que a vida é magia. Sim, o voo foi alegre, foi delicioso, foi colorido. Voar com você foi doce, foi leve, foi bom!
O chão é que não está sendo muito confortável (risos). Por isso estou aqui oscilando entre a flutuação e a realidade. Logo aterrisso, demoro, mas chego! Gosto tanto da oportunidade de voar, que não consigo ver a dor que é não conseguir voltar para a realidade.


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